Para os arquitetos

30 June, 2009

“Ó arte admirável! Sabes medir tudo o que é redondo, sabes reduzir ao quadrado toda figura proposta, conheces as distâncias entre os astros. Não há nada que não possas medir. Se és um grande geômetra, mede a alma do homem, dize-nos sua grandeza ou pequeneza. Sabes o que é uma linha reta, mas de que te serve isso se ignoras o que é uma vida de retidão?”

Sêneca

Residência Junior/Natali

21 May, 2009

Esta casa foi projetada num terreno de dimensões reduzidas e ocupa uma lâmina de 8,30 x 10 m. Conceitos de sustentabilidade, eco-houses, introspecção e permeabilidade visual interna geraram uma casa-pátio, com pavimentos intercalados entre si. Uma casa compacta por fora e completamente ampla por dentro foi o resultado. Nas fachadas propomos o uso de vegetação (hera ou jasmim-vapor - Uma fachada cheirosa!) como revestimento e alternativa de amenizar os efeitos da insolação. A idéia é que a casa use ao máximo os recursos naturais de ventilação, exaustão e iluminação.

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Sobre Elefantes e Arquitetos

30 March, 2009

Quando em Fortaleza – CE para o lançamento do livro fui entrevistado por um aluno que fazia um trabalho de faculdade (FANOR). Este envolvia fazer com que profissionais falassem sobre o que achavam da atuação do arquiteto… daí surgiu o pequeno texto abaixo:

 

 

Sobre elefantes e arquitetos

 

Dizem os estudiosos que os elefantes são agentes modificadores do ambiente ou natureza. Isto se dá por que, devido ao seu porte, o elefante, por onde passa, transforma o meio. Pensemos bem: desde a vegetação rasteira que, dependendo do tamanho do grupo e freqüência com que faz o trajeto, acaba por virar uma via de chão batido até a vegetação mais alta, que acaba por se rarear por causa da alimentação da manada, quase tudo no ambiente físico sofre alteração por causa da intervenção do elefante (manada). Some-se a isto as árvores e arbustos que são derrubados, a grande quantidade de dejetos e o impactosocialentre os animais que a passagem deste grupo causa.

Baseado neste exemplo podemos dizer que os arquitetos são também agentes modificadores do ambiente. Por sua atuação, e influência da conseqüência de seu trabalho, o arquiteto pode interferir e modificar as características e até a natureza do meio. Arquitetos e elefantes são, por atuação no ambiente, agentes com funções similares: modificadores.

O arquiteto, na sua esfera de atuação, pode interferir e modificar o meio onde está inserido. As decisões tomadas em projetos estão intimamente relacionadas com a cidade. Quando o arquiteto cria um muro divisório entre o público e o privado, por exemplo, dependendo da altura deste muro e da largura da calçada, bem como da via pública, o resultado pode ser de claustrofóbico e sufocante até confortável e convidativo. Isto mostra como o resultado das decisões projetuais podem interferir diretamente na vida do usuário intermediário e do usuário final do ambiente, seja ele público ou privado.

Curiosamente a atuação dos elefantes no meio gera modificações que direcionam a vida dos demais animais circundantes. O trabalho (associado a outros agentes profissionais e fatores externos ao exercício da profissão) dos arquitetos pode gerar o mesmo direcionamento na vida dos usuários do ambiente construído. Direcionamento este que vai muito além do “meroespaço. Este direcionamento pode ocorrer em sentido estético (quando se gera uma “imagemque é forçosamente absorvida pela população, quando se cria uma expectativa construtiva e estética que condiz, ou não, com a história e formação originais do ambiente onde este usuário está inserido), direcionamento em sentido espaço-funcional (quando se transformam ou se adaptam, bem como se criam novas necessidades e usos para as construções e ambientes internos e externos) e  direcionamento urbanístico (quando as decisões interferem diretamente na cidade, ou seja, no modo de vida comum da população).

O peso das decisões dos arquitetos aumenta muito quando se avaliam estes simples aspectos das resultantes do trabalho profissional e das conseqüências deste. Conseqüências sim! Não podemos imaginar que decisões, num sistema de vida “globalizado” como o nosso, possam ser tomadas isoladamente e, portanto, sem responsabilidade profissional ou mesmo social.

Neste ponto estabelecemos a diferença na similaridade entre elefantes e arquitetos: o primeiro grupo interfere devido ao instinto e fatores externos que não estão sob seu controle (como questões alimentícias, climáticas e de sobrevivência) ou senso de ética, que sequer existe. O segundo e privilegiado grupo interfere no ambiente com o uso pleno (pelo menos é esperado!) de dois instrumentos balizadores de ação, que fazem toda a diferença: inteligência e senso ético.

Assim o arquiteto não pode simplesmente achar que sua atuação está além do crivo social ou humanístico, que pode agir com uma espécie de “síndrome de deus”, como se suas crias fossem isoladas e completas em si mesmas. Interferências no ambiente social, por parte dos arquitetos, são sempre acompanhadas de respostas a si mesmos e à sociedade. Esta cobrança se faz necessária e oportuna, pois regula, de certa forma, a interferência.

Trabalhar (projetar) para o arquiteto deve ser uma grande responsabilidade e prazer por causa das conseqüências e amplitude que uma ação projetual pode gerar. Isto torna o trabalho mais instigante e incisivo em resultados. Como disse, certa vez, um amigo e colega de profissão – “arquitetura é difícil!”. Esta frase me parece bastante sensata quando associada à responsabilidade social da ação arquitetônica. Simplesmente projetar, sem levar se levar em conta o efeito que o projeto pode ter nos diversos tipos de usuários (não somente o final, simplesmente o cliente) que estarão vinculados (alguns forçados!) à obra, se torna banal e inconseqüente.  Diante do brilhantismo que o projeto pode ter ao se levar em conta as mais diversas interfaces que tornarão o projeto o mais responsável possível as decisões, com certeza, serão mais bem pensadas e estruturadas em pensamentos sólidos que primam pela beleza, mas também estão cientes de que o resultado faz parte de um todo chamado cidade, com pessoas interagindo com o ambiente construído.

De fato também é bom lembrar um aspecto interessante: assim como ocorre com os elefantes, alguns fatores externos podem fugir de nosso controle ao trabalharmos. Clientela difícil, atenuantes e agravantes de construção, financiamento da obra, gosto (não se tem como descartar esta variante impressionante numa profissão que alia a frieza da técnica e precisão matemática ao mais doce humanismo da concepção e criação artística), clima e outras possíveis “impossibilidades”. No entanto reforço aqui o papel do senso ético do profissional em conviver com estes fatores da maneira mais produtiva possível, sem deixar que circunstâncias, simplesmente, tomem as rédeas do projetar. Esta fina pele que divide o controlável do incontrolável, a circunstância do fato, o sim do não, o seguir do parar por aqui, pode ser fator determinante para que o trabalho seja feito sem deixar seqüelas na atuação do arquiteto, seja profissional ou pessoal. Ao contrário de ser um agente dificultador este detalhe torna o exercício da profissão mais intrigante e fascinante, pois o embate enriquece e torna o trabalho mais abrangente devido às muitas interfaces que se fazem presentes desde a idéia conceitual até a tomada final de decisões.

Projetar, longe de ser um trabalho solitário e isolado, é um trabalho que envolve pensar na obra e na influência que ela pode ter na vida das pessoas e da cidade. Modificar o meio com responsabilidade é um privilégio para poucos e deve ser valorizado pelo potencial de ação que isto gera e estimula.

 

Para terminar vale relembrar uma citação feita em “O Nome da Rosa”, de Umberto Eco, sobre arquitetura:

“Pois a arquitetura é dentre todas as artes a que mais ousadamente busca reproduzir em seu ritmo a ordem do universo, que os antigos chamavam de kosmos, isto é, ornado, enquanto parece um grande animal sobre o qual refulge a perfeição e a proporção de todos os seus membros.”

Residência Alexsandra e Mércio

14 March, 2009

Neste trabalho desenvolvemos um projeto de baixo custo, mas com muito bom resultado estético. Trata-se de uma construção num terreno de 10 x 20 m onde conseguimos situações agradáveis em sentido espacial. Estamos tentando aplicar conceitos orientais nos projetos, como amplidão de ambientes através de aberturas, reentrâncias com jardins e pequenos volumes, e interpenetrações espaciais.

Preparamos duas situações para os clientes: uma com crescimento horizontal e outra com crescimento vertical. Aqui apresentamos a situação horizontal.

 

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Anteprojeto para reforma do Expresso Cidadão - Cordeiro, Recife - PE

19 January, 2009

Mantendo a mesma conceituação usada no “Expresso Garanhuns” fizemos este projeto de reforma para o Expresso Cidadão Cordeiro. Neste caso encontramos um prédio, em uso, com alguns problemas muito sérios devido ao grande número de usuários. Esta superpopulação (fixa + flutuante) gerou uma série de adaptações que, com o tempo, tornaram mais complicado o uso funcional do prédio.

Também detectamos alguns problemas como: pouca luminosidade natural, pouco contato visual com o exterior, dificuldade de acesso, pouco contato com a cidade (prédio não é bem urbano), muita dependência de energia elétrica (luz e ar condicionado).

Assim o projeto foi desenvolvido com a intenção de se criar “uma grande sombra” (Armando Holanda) para que o local se torne mais aprazível ao usuário. Também foi preocupação fazer com que a construção tivesse impacto visual no entorno, gerando uma sensação de maior contemporaneidade, modernidade.

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Projeto para residência em Aldeia, Camaragibe - PE

27 October, 2008

Este projeto reflete um conceito que estamos tentando implementar junto aos clientes aqui no escritório. Estamos questionando o uso exagerado de paredes, ou vedações. Levando em conta preceitos climáticos e projetuais (como os de Holanda em “Roteiro para Construir no Nordeste”) propomos ambientes sociais livres de paredes. Apenas áreas íntimas e de serviço são “vedadas” por questões sociais e de segurança. Estas decisões têm gerado espaços amplos, com grandes visuais, arejados e iluminados. Conceitos de sustentabilidade e “ecohouse” também facilmente coadunam com estes projetos.

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Projeto para construção do Expresso Cidadão em Garanhuns - PE

9 October, 2008

Este é um projeto que estamos finalizando aqui no escritório. Está baseado em conceitos como: Fluxo, Claridade, Transparência, Contemporaneidade e Mecanicidade.

O terreno fica na esquina da Av. Lions com a Rua João da Silva, em Garanhuns. Tem um declive acentuado que nos permitiu tirar proveito de parte do terreno movimentado (proposta) para criar um pavimento inferior para lojas e serviços rápidos, além de toda a estrutura de um Expresso Cidadão que já conhecemos. A fachada principal é toda poente, o que motivou sua vedação quase por inteiro, exceto no volume de madeira, que neste ponto funcionará como uma veneziana.

O partido arquitetônico consiste em um volume de metal (revestimento externo em telha de alumínio) interceptado por um outro volume de madeira (que gera o acesso principal pelas rampas) apoiados no muro de arrimo em pedra.

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Estudo para Portal de Entrada em Belo Jardim - PE

4 March, 2008

Este foi um estudo, feito em conjunto com a artista plástica Ana Velozo, para um portal de entrada na cidade de Belo Jardim. A estudo se baseia em um pilar em “V” de concreto revestido com chapas de ferro e duas grandes asas em estrutura metálica, pintadas em branco. A idéia é de proporcionar uma sensação de liberdade e dar um caráter de modernidade ao monumento.

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Lançamento do livro “Arquitetura Vernacular Praieira” em Pipa - RN

3 March, 2008

Nesta última sexta 29/02/08 tivemos o prazer de fazer o lançamento do livro em Pipa. Cíntia e seus amigos fizeram uma festa memorável. Foi muito bom!!! Nos divertimos muito. A Book Shop estava toda preparada pro evento. Até música (da melhor qualidade!!!) teve. Nas fotos abaixo estão Tiago, Serginho e Henry (que é excelente fotógrafo), os músicos que tornaram a noite muito mais legal.

Gostaria de agradecer demais a Cíntia, Coca e Maria, e também Luis pela excelente recepção e trabalho lá em Pipa.

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Lançamento do livro “Arquitetura Vernacular Praieira” em Pipa - RN

23 February, 2008

Daqui em diante, sempre que for possível, tentarei antecipar as informações de alguns eventos.

Pra começar: dia 29/02/08, sexta-feira, às 20:00h, estarei fazendo o lançamento do livro na Book Shop, de Cintia, em Pipa - RN. Um local muito charmoso e aconchegante. Para vocês terem uma idéia esta livraria, café e galeria aluga livros em muitos idiomas para os visitantes em Pipa. O acervo, muito bom por sinal, foi montado e é mantido através de doações. Todo mundo em Pipa sabe onde está a Book Shop.

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Fotos: Joel Gomes